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..Projetos para Internet
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...Conto I - Pequenas Histórias
..Autor: Paula Maciel Barbosa. 2003
 
A noite escura por todos os lados.
O som que sai da gaiola de ouro e preenche todos os cantos, me preenche toda; preenche todos os poros, todos os alvéolos, todos os momentos.
O canto do inseto é maior que o inseto. Não parece o inseto, não parece que sai das entranhas delicadas do inseto.
É muito maior que o inseto. Quando o peguei no campo, parecia tão vulnerável.
As asas azuladas, as patinhas delicadas. Sabia que não gostaria de viver na gaiola dourada.
Eu também não gosto de viver aqui, nesta redoma de ouro. Um ar pesado paira sobre mim.
Paira sobre mim um silêncio.
Paira sobre mim a escuridão. Só o canto do pequeno grilo me envolve e me aquece.
 
 
...Conto II - Pequenas Histórias
..Autor: Paula Maciel Barbosa. 2003
 
E era que eu gostava de criar grilos. Na verdade gostava de caçar grilo no capão que separa nossa casa do lixão. Foi lá que achei o vidro de maionese que usava para prender o bichinho.
Fiz uns furinhos na tampa, pra ele poder respirar.
Dava uns restos de comida do jantar pra ele.
Minha mãe tinha pena do grilo e me obrigou a soltar, depois do barulhão todo que ele fez durante a noite.
Disse que parece o barulho de sirene. Eu não acho.
Acho que o som dele é muito bom de escutar à noite, quando a gente está na cama.
Melhor que barulho de tiroteio. Minha mãe tem medo de polícia.
Eu também tenho. Ontem, quando fomos ver se o caminhão tinha deixado alguma coisa legal no aterro sanitário, achei uma caixinha meio encardida. Era vermelha, de um tecido brilhante.
Tinha o desenho de umas pontes redondas e de umas casas diferentes. Achei bem bonita. Isso mesmo sem ver o que tinha dentro. Quando vi, não acreditei. Era um grilo, de mentira, claro.
Um grilo boneco. Só que ele cantava também.
O barulho não era tão bonito quanto dos meus grilos.
Mas também não precisava cuidar do bichinho.
E minha mãe também não ia reclamar.
Era só fechar a caixinha que o barulho parava. Levei a caixinha pra casa.
Era como um tesouro secreto. De vez em quando corria até a caixinha pra escutar o barulho.
O problema é que eu sentia saudades dos grilos de verdade; de olhar pra eles, de pegar o grilo no meio de minhas mãos para não deixar ele pular. Ele era leve, mas tinha peso.
E tinha cheiro. E era que eu sentia falta do grilo de verdade.
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